Futebol

Dedé fala sobre passagem pelo Vasco, duelo contra Neymar e mais

O Vasco estreia nesta quarta-feira, às 19h, na Copa Sul-Americana contra o Melgar, do Peru, em Arequipa. Da última vez que o clube enfrentou uma equipe peruana nesta competição, a partida foi memorável. Há 14 anos, Dedé acabava com o Universitario, em São Januário, uma atuação inesquecível do zagueiro, que considera este jogo o maior de sua carreira.

E olha que um dos melhores zagueiros que passaram por São Januário neste século tem atuações de sobra para se orgulhar. A mais famosa delas é a partida contra o Santos, pelo Brasileirão de 2011, na qual anulou Neymar.

— No contexto geral, de reconhecimento mundial, sim (o jogo contra o Neymar é o mais importante). Já joguei fora, os caras lá falavam "você já jogou contra o 'Neyma'. Eles chamam ele assim. Acho que essa é a 01 (maior) da minha carreira de repercussão. As pessoas me abordam mais por esse jogo, porque o Neymar já carregava a Seleção, estava voando.

Mas, em entrevista ao Globo Esporte, Dedé insistiu: o melhor jogo da carreira dele foi contra o Universitario.

— O jogo que eu mais joguei na minha carreira foi contra o Universitario, do Peru, que eu fiz dois gols. Esse é o 01 (melhor) da minha carreira.

— Em 2011 fui premiado com tudo. Nesse jogo eu fiz dois gols, era zagueiro, virei atacante, um jogo doido que foi. Nunca tinha feito dois gols na carreira. Foi a primeira vez.

E este foi um dos grandes jogos da história recente do Vasco em partidas internacionais. O time carioca havia perdido por 2 a 0 no Peru e precisava reverter o placar em São Januário. No entanto, os peruanos abriram 2 a 1 no Rio de Janeiro, e os vascaínos tiveram que se lançar ao ataque com tudo.

O Vasco empatou com Elton aos cinco minutos do segundo tempo e foi com tudo para frente. Dedé, melhor zagueiro do futebol brasileiro à época, tornou-se lateral, meia, atacante, tudo. Aos 13, ele recebeu pela direita e cruzou todo desajeitado para a área. O goleiro Llontop frangou e aceitou o cruzamento.

O Vasco ainda precisava de mais dois gols. Aos 27, o zagueiro foi ao ataque de novo e marcou o quarto gol da equipe. O quinto gol, o da classificação, só poderia ter a participação de Dedé também. O zagueiro, como um atacante dos bons, ajeitou de cabeça para Alecsandro marcar e fazer o time da casa avançar às semifinais da competição.

O Vasco foi eliminado nas semifinais da Sul-Americana em 2011, quando o time foi derrotado pela Universidad de Chile. Naquele ano, o clube carioca conquistou a Copa do Brasil e terminou na segunda posição do Campeonato Brasileiro.

— 2011 foi o melhor ano da minha carreira, e o ano mais fácil em questão de confiança, de jogo. Tudo dava certo. Eu considero 2010 legal, porque no meu primeiro ano fui considerado o melhor zagueiro do campeonato. Ninguém me conhecia. Mas 2011 foi muito bom. Teve vários duelos, tive meu primeiro título de expressão, fui um dos protagonistas.

— Teve o embate com o Neymar, que até hoje comentam. Uma vez fui parado pela polícia, e o cara falou para parar a revista porque eu era o cara que tinha parado o Neymar — riu Dedé.

Na entrevista exclusiva do Globo Esporte na casa de Dedé, realizada há duas semanas, antes do jogo contra o Santos pelo Brasileirão, o zagueiro comentou a relação que tem com o Vasco. Ele disse que tem muito carinho pelo clube de São Januário, no qual foi muito feliz, e deu detalhes sobre a época em que chegou ao clube.

— A torcida sempre me tratou com muito carinho. Tem lembranças maravilhosas de quando eu jogava, da caminhada do título (da Copa do Brasil), da festa que foi. O Vasco foi muito marcante na minha vida. Todo mundo sabe o quanto eu sou grato por tudo que conquistei no Vasco. Muitas pessoas, profissionalmente, poderiam escolher o Flamengo, porque eu tive proposta, mas eu escolhi o Vasco, porque estava na Série B. Achei que lá eu teria mais oportunidades. Acabou que não tive. Mas foi uma escolha muito certa na minha vida. Sou grato a Deus por ter me dado esse direcionamento.

Uma das referências do último grande time do Vasco, Dedé disse que segue na torcida pelo clube, mesmo depois da aposentadoria. Ele afirmou que gostaria de ver o time de São Januário com um ano igual ao do Botafogo, no ano passado, para ver a festa que a torcida vascaína faria.

— Tomara que o Vasco volte a ser o Vasco. Seria muito legal ver com o Vasco o que aconteceu com o Botafogo no ano passado. Acho que se acontece com o Vasco o que aconteceu com o Botafogo no ano passado, é um ano da torcida do Vasco comemorando, fazendo loucura de festa em cima do time. Acho que é isso que os torcedores e quem está comandando o clube precisa pensar. Vamos ver, torcer, orar muito para dar tudo certo para o Vasco, e vai dar, se Deus quiser.

O torcedor vascaíno sente saudades dos tempos de Dedé e de um Vasco protagonista. Para voltar ao topo de uma competição de expressão, o clube inicia sua jornada nesta quarta-feira na Copa Sul-Americana. O adversário é o Melgar, do Peru, às 19h (de Brasília), em Arequipa.

Veja outros pontos da entrevista

Pós-carreira
— Eu tenho zero relação com futebol, cara. Eu tento ver alguns jogos, me esforço, mas minha rotina é muito corrida. Eu fico muito com meu filho, vou muito à academia. Eu nem consigo me ligar nas datas de jogos importantes. Fui me afastando. Tento ter algum relacionamento com o futebol, acho que tenho algo a ensinar, a contribuir, talvez para a "molecadinha". Sempre que eu vou para a rua, os pais perguntam porque não ajudo o filho deles, falam que eu sou um cara legal, sou um cara paciente, brincalhão. As crianças me adoram nesse sentido. Estou abrindo o coração para isso. Tomara que deu certo. Nada gigante, de ser treinador, dirigente, nada disso. Quero algo mais leve para poder curtir minha família.

— Faço futevolêi. De vez em quando, um pessoal mais velho me chama para fazer uma graça, jogar uma pelada. Muito difícil mesmo. Ano passado eu joguei três vezes só. Esse ano ainda não joguei futebol. O pessoal acha que eu sou o Dedé de 2011, o do Vasco ainda. Me chamam para jogar campeonato amador. Falo para esquecerem isso. Me deixa só no futevolêi. Eu não sinto dor no joelho. Sinto nada. É maravilhoso para mim. Chego em casa leve, brinco com meu filho.

Duelo contra Neymar
— Eu criei algumas estratégias para me ajudar. Ele é muito rápido, liso e adorava que dessem o bote nele. Eu falava que não ia dar o bote. Esperava para ter reação, eu tinha velocidade e força. Tentava jogar ele para o meu lado mais forte e conseguia roubar. Ele foi tentando mudar, sair da posição, mas eu já encostava nele para não deixar espaço. Foram estratégias que me ajudaram. O momento ajudou muito.

— Não fui eu quem parou o Neymar. O Rômulo ajudava, o Eder Luis voltando ajudando. O Anderson Martins me dava muita confiança, porque eu sabia que tinha um gigante do meu lado. Todo esse contexto me ajudou nesse jogo em São Januário contra o Neymar. Porque lá em Santos a gente passou um aperto contra ele.

— Eu não sei como reagir (contato com torcedores). Toda hora que eu passo, os torcedores brincam: "tira o Neymar do bolso".

Importância de Ricardo Gomes
— Ricardo Gomes foi essencial na minha carreira. Ele não era tão rápido, então ele me ajudou nas estratégias de encurtar caminho, dar o bote certo. O que ele não tinha, eu tinha. Eu era muito longe dele, porque ele era um craque, mas eu tinha muita força. Quando ele me ensinou a conduzir o jogador para o meu lado mais forte, isso me mudou.

— Ver o Ricardo Gomes feliz com a partida, é um negócio que mexe com a gente. Era um grupo muito maneiro. O vestiário tinha muita zoação, a gente ia tocando pagode no ônibus até a porta do estádio. Não podia perder, senão a culpa era do pagode. Essas imagens mexem muito. De vez em quando, gosto de reasssistir os meus lances. Lembro de momentos do Ricardo Gomes vindo me abraçar e falar que eu ia chegar longe, que eu era um baita zagueiro, que jogaria Copa do Mundo.

Seleção brasileira com Neymar
— Eu era bobão, crianção. Juntou eu, Neymar e Lucas, zoávamos todo mundo na Seleção. Vocês não têm noção do que era o Neymar nessa época. Treinar com ele era pior ainda. Você não podia encostar nele, ele era do seu time (risos). Ele era de outro planeta. Teve um dia que eu brinquei com ele. Ele chegou cheio de brincos, pedi para ele tirar, porque se desse uma mãozada nele, ia perder meu salário. Quase joguei com a mão amarrada.

Vontade de voltar a jogar?
— Voltar a campo, tenho nenhuma vontade. Estou muito bem resolvido com o futebol. Quando eu parei, estava no Volta Redonda, fazendo CORE e sentindo dor no joelho. Falei que ia correr atrás de outra coisa. Fui uma decepção para o Volta Redonda, mas expliquei, e eles entenderam. Para que isso não acontecesse, parei.

Relação com torcida do Vasco
— A maioria demonstra gratidão pelo o que eu fiz, explica para os filhos. Sempre me tratam com carinho e comentam de alguns jogos. É difícil. É difícil você saber a grandeza do clube, do tamanho da torcida do Vasco. A torcida do Vasco é um absurdo. Eu acho que é uma das três maiores do país, no sentido de entregar, entusiasmo, não de quantidade. Mas é triste, é um sofrimento longo. Os jogadores até tentam, mas estruturalmente é difícil. Eu não sei explicar o que fez o Vasco passar por esse momento.

Fonte: ge
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